Jornada Bíblica

Jornada Bíblica

Círculo Bíblico: encontros de dezembro

Durante todo o ano de 2019, nós estudaremos a trajetória de Moisés e como foi o evento da libertação operada por Deus na história de Israel, o Êxodo.

Jornada Bíblica

1º encontro

Moisés desce da montanha com o rosto iluminado

Leitura: Ex 34,29-35

Introdução

Nesta semana, estudaremos a cena na qual Moisés desceu da Montanha com o rosto iluminado.

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã.

Leia Ex 34,29-35. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

Moisés desce do monte Sinai e seu rosto é radiante. Essa passagem usa imagens fortemente simbólicas para seu antigo contexto do Oriente Próximo. Um brilho distintivo estava associado à divindade, e pensava-se que os deuses compartilhassem esse atributo com seus representantes terrenos escolhidos, geralmente a realeza.

O texto bíblico diz que o rosto de Moisés resplandecia. O verbo hebraico usado aqui, qaran, é raro. Ele deve ser entendido como uma referência ao brilho, mesmo que derive de uma palavra que descreve alguém que tem chifres.

A interpretação de qaran como um verbo para brilhar deriva de Hab 3,4, onde o paralelismo poético associa a palavra hebraica qarnayim (que pode ser literalmente traduzida como “dois chifres”) à luz brilhante.

A palavra hebraica normal para luz ou brilho é qaran pode ter sido usada aqui para criar jogo de palavras com qeren (“chifres”), o que ecoaria o incidente do bezerro de ouro.

O termo qeren também é frequentemente usado metaforicamente, então Hab 3,4 poderia usar “chifres” como linguagem poética para raios. Esse jogo de palavras simbolizaria que o verdadeiro poder radiante vem da presença do Senhor, não um ídolo de um bezerro de ouro sem vida.

No NT, o apóstolo Paulo entendeu essa passagem como uma referência ao rosto de Moisés ser radiante (2Cor 3,7). Na tradução latina antiga, a Vulgata, as consoantes hebraicas aqui em Ex 34,29, eram entendidas como qeren (não qaran), resultando na tradução de que Moisés tinha chifres depois de descer da montanha. Essa leitura influenciou certas representações artísticas de Moisés, incluindo uma escultura de Michelangelo.

Depois que o povo viu Moisés, eles tiveram medo e, aparentemente, fugiram; o texto diz que o líder dos israelitas teve que chamá-los de volta (v.31). Após o comportamento que Moisés teve durante o episódio do bezerro de ouro, esse medo com certeza, apareceria (Ex 32,15–29).

O véu (masweh em hebraico) atua como um limite entre Moisés e o povo. O único momento em que ele o removerá, revelando seu rosto, é quando ele falar com o Senhor e transmitir a Sua mensagem ao povo. Caso contrário, o líder cobre o rosto, um estado que o separa das pessoas a quem serve, enfatizando sua autoridade.

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. Por que o rosto de Moisés brilhou?
  2. Qual é a relação entre o verbo “brilhar” ou “resplandecer” com alguém que tem chifres?
  3. O que o brilho do rosto de Moisés tem a ver com o bezerro de outro?
  4. Moisés tinha um chifre na cabeça?
  5. Por que o povo teve medo de se aproximar de Moisés?
  6. Para que serve o véu que cobre o rosto de Moisés?
  7. Quais são os ensinamentos mais importantes dessa semana?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

2º encontro

A coleta dos materiais para a construção da Tenda da Reunião

Leitura: Ex 35,4-29

Introdução

Nesta semana, estudaremos a coleta dos materiais para a construção da Tenda da Reunião, também conhecida como Tabernáculo. Texto que revela como os israelitas, agora, precisam, num processo de união, construírem juntos a nova sociedade.

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã.

Leia Ex 35,4-29. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

A descrição da construção do tabernáculo começa, em Ex 35,1–29, com Moisés, lembrando o povo dos regulamentos do sábado (Ex 35,1–3). Quando estão prestes a iniciar seu primeiro projeto de construção coletiva desde que saíram do Egito, Moisés deve lembrá-los de que não devem continuar a trabalhar como escravos, mas devem se lembrar de seu Criador descansando no sétimo dia (Ex 20,8-11; Dt 5,12–15).

Em Ex 35,4–29, Moisés diz ao povo que traga os materiais necessários para a construção do tabernáculo e seus móveis. O catálogo de materiais é derivado das instruções detalhadas do Senhor dadas a Moisés nos capítulos 25-31.

O fato de que os israelitas devem contribuir com a construção significa que, agora, depois da escravidão, eles devem assumir juntos a responsabilidade por aquilo que será de utilidade coletiva.

Nos capítulos de Ex 35–39, os artesãos israelitas, mencionados em 31,1–11, constroem o tabernáculo e todos os itens sagrados detalhados anteriormente. O relato do trabalho é extremamente detalhado, narrando a execução das instruções dos capítulos de Ex 25-30 item por item.

A menção cuidadosa de todos os detalhes, apesar da repetição resultante de material anterior, serve para enfatizar como o trabalho foi concluído precisamente conforme as instruções.

A narrativa de Ex 36,8-39,32 apresenta pouca informação nova, pois detalha minuciosamente o trabalho que está sendo realizado de acordo com as instruções explícitas do Senhor. O próprio tabernáculo é construído no cap. 35. A fabricação dos móveis do tabernáculo e seus utensílios segue nos cap. 37-38. As vestes sacerdotais são feitas no cap. 39. A narrativa culmina no cap. 40 com a assembleia e consagração do tabernáculo.

A descrição de todos os materiais contribuídos enfatiza a disposição de coração das pessoas (v.21–22.26. 29), o que indica que elas estão respondendo de acordo com o pedido inicial de contribuições (v.5; ler 36,3–7) e mostra sua penitência por fazer o bezerro de ouro.

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. Por que a construção do tabernáculo tem seu início com a retomada do ensinamento do sábado?
  2. Por que o povo é chamado a participar da construção?
  3. Por que há uma repetição feita pelo autor de todos os itens e do processo de construção?
  4. Como foi o processo de construção de acordo com a continuidade da narrativa?
  5. O que a descrição dos v. 21–22.26.29 ensina?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

3º encontro

A construção da Arca da Aliança

Leitura: Ex 37,1-9

Introdução

Nesta semana, estudaremos a construção da Arca da Aliança, um dos objetos mais importantes da Sagrada Escritura.

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã.

Leia Ex 37,1-9. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

O design da arca é inicialmente comunicado em Ex 25,10–22. Nesta passagem, Ex 37,1-9, Beseleel faz a arca exatamente como instruído anteriormente. Com isso o autor ensina que o povo de Israel obedecia a Deus nas instruções dadas, sendo fiel.

A arca da aliança, como descrita nesta passagem e em outros lugares, é comparável em design aos tronos associados às divindades e, às vezes, à realeza em todo o antigo Oriente Próximo (por exemplo, 1Rs 10,18–20).

As características definidoras são o assento sobre a própria arca e os querubins que flanqueiam de ambos os lados. O propósito do design ser semelhante provavelmente mostra que o Senhor é, verdadeira e finalmente, o rei de Israel e sobre toda a criação – não qualquer pessoa ou deus. O assento em si também não contém ídolos, o que indica que o Senhor não é adorado como outros deuses.

Seres espirituais com características humanas, de pássaros e bovinos, no antigo Oriente Próximo, eram guardiões do trono de uma divindade.

A arca (Ex 25,10–20) se tornará “a arca do testemunho” quando Moisés cumprir o mandamento do Senhor de colocar o testemunho, ou seja, as tábuas dos Dez Mandamentos dentro, no momento em que o tabernáculo for finalmente montado (Ex 25,16; 40,20).

A importância da arca como peça central do tabernáculo e o local onde o Senhor se encontrará com Moisés (Ex 25,22) é ainda mais significativa pela referência explícita a Beseleel como aquele que a fez, uma vez que foi especificamente chamado e “Cheio do Espírito de Deus” para supervisionar a obra (Ex 35,30–34).

A sequência dos móveis que estarão no Tabernáculo começa com a peça mais sagrada, a Arca da Aliança, e depois se move para os outros móveis no que parece ser um grau decrescente de santidade.

O grau de importância desses móveis está baseado em quão próximos ou quão longe eles devem ser colocados em relação ao Santo dos Santos. É significativo que o Altar para Incenso tenha sido construído antes do Altar para a Oferta Queimada, que deveria ser colocado fora da própria tenda.

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. Ao narrar anteriormente qual seria o design da Arca da Aliança e agora mostrar como ela foi feita, o que o autor quer ensinar?
  2. À que a Arca da Aliança parecia no Antigo Oriente Próximo?
  3. O que as características da Arca ensinam?
  4. O que os querubins e outros seres com características humanas representam na cultura da época?
  5. No que a Arca se tornará?
  6. Qual é a importância da Arca?
  7. Por que a sequência dos móveis que estarão na Tenda da Reunião começa com a Arca da Aliança?
  8. Como sabemos qual é o grau de importância dos móveis e utensílios do Tabernáculo?
  9. Quais são os ensinamentos mais importantes dessa semana?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

4º encontro

Deus toma posse do Tabernáculo

Leitura: Ex 40,34-38

Introdução

Nesta semana, estudaremos o texto de Ex 40,34-38 que conclui o livro do Êxodo com o momento no qual Deus vem habitar no meio de seu povo.

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã.

Leia Ex 40,34-38. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

O livro do Êxodo termina com a presença do Senhor entrando no tabernáculo. Isso leva o relacionamento de Israel com o Senhor a um lugar muito diferente do que era quando o êxodo começou. Ele não está mais longe, ouvindo o Seu povo chorar à distância (Ex 2,23-3,9). Ele agora vive entre o povo, e Sua presença contínua distingue Israel de todos os povos da terra (Ex 33,16).

A nuvem divina que estava no topo do Monte Sinai, na qual somente Moisés poderia entrar, agora repousa no tabernáculo e é essa nuvem que guiará o povo em sua jornada para a terra prometida (v.36–38; Nm 10,11-13).

A repetição na narrativa desses versículos enfatiza o ponto em que o Senhor está presente com toda a sua glória no meio de seu povo: o tabernáculo (v.34.35.36.38), a tenda da reunião (v.34) onde a presença do Senhor era representada pela nuvem (v.34–38) e fogo (v.38), para que pudessem ser santificados pela glória do Senhor (v.34.35) e saberem que o Senhor, o Deus deles, foi quem os tirou da terra do Egito para que pudesse habitar entre eles (Ex 29,43–46).

Quando Salomão construiu o templo, “a glória encheu a casa do Senhor” (1Rs 8,10–11), ecoando esses versículos)

Esse fato da Tende ter ficado cheia da glória de Deus prefigura a plenitude do Espírito em Cristo (Mt 3,16–17; Jo 1,14; 3,34–35) e na igreja (At 2,3–4; 1Cor 3,16).

A presença do Senhor aparece frequentemente como uma coluna de nuvem durante o dia e uma coluna de fogo durante a noite durante o tempo de Israel no deserto, mas a imagem de uma nuvem é usada com mais frequência (Ex 13,21–22; 14,19–24; 19,9.6; 24,15–18; 33,9–11; 40,38). A nuvem em si não é a presença do Senhor; Deus habita no meio da nuvem, enquanto a nuvem O oculta da vista.

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. Por que o Êxodo termina com essa passagem?
  2. Por que o autor repete as expressões nos versículos 34-35?
  3. Qual é a relação dessa passagem com a construção do Templo na época de Salomão?
  4. O que esse texto tem a ver com o Novo Testamento?
  5. Qual é o significado da nuvem?
  6. Quais são os ensinamentos mais importantes dessa semana?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

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