Entre os muitos ensinamentos que podemos recolher de Jesus aos seus discípulos, a partir dos evangelhos, está o de abraçar a cruz e carregá-la como sinal do seu seguimento. A cruz, que no passado era tida como instrumento de condenação, a partir de Cristo transforma-se em sinal de vida nova. Somente fazem a experiência da ressurreição aqueles que passam pela cruz.
É na esteira desse entendimento da cruz, que aqueles que são chamados a pastorear o povo de Deus trazem pendendo do pescoço esse sinal. O bispo, no seguimento de Cristo, é chamado a cuidar do rebanho que lhe é confiado. Como pastor de um povo, é exortado a doar sua própria vida, a fim de que as ovelhas por ele guiadas encontrem no Senhor a vida em abundância. Por isso, as alegrias e tristezas, as vitórias e derrotas de um povo serão assumidas por seus pastores, que em tudo são chamados a agir como Cristo, que não abandonou a cruz.
No seguimento do mestre o bispo é chamado a algumas importantes tarefas como: formar seu povo para uma fé ativa e consciente, consolar os doentes, acolher os empobrecidos, ouvir os aflitos e cuidar dos que foram esquecidos.
No exercício do múnus pastoral, o bispo é convocado a formar o povo que lhe é confiado para uma fé ativa, capaz de transformar as situações de morte, em realidades de vida. Tal formação se dá à luz da mensagem da cruz, que a todos exercita, para a superação de todas as forças contrárias à mensagem de esperança que comporta o evangelho.
Como proclamador da mensagem da cruz o bispo também acolhe os doentes. No estender as mãos aos enfermos o bispo proclama que é no mistério da cruz que entendemos o momento da enfermidade, não como aniquilação existencial, mas espaço para a manifestação da glória de Deus.
Ainda podemos falar do bispo como aquele que, à luz da mensagem da cruz, acolhe os empobrecidos e ouve os aflitos. Acolher, significa cuidar com zelo daqueles que são desassistidos e que experimentam as aflições deste mundo. Através do anúncio do evangelho da cruz, que para alguns é loucura, o pastor demostra a seu rebanho a possibilidade de se refazer um novo caminho, que leva todos ao encontro do Ressuscitado.
Partindo da mensagem da cruz, o bispo, no exercício do seu pastoreio, é também convidado a cuidar dos es¬quecidos. Auxiliando para que todos deixem o mundo do anonimato, para viverem como dignos e valorosos filhos de Deus.
A cruz que o bispo carrega, testemunha que ele, no cuidado e animação da Igreja local, é o primeiro servidor do Senhor. Desse modo, as ovelhas por ele cuidadas devem seguir seu exem-plo no anúncio da mensagem da cruz e na doação de vida, para que em Cristo todos encontrem a vida em abundância. O bispo não recebe a cruz no dia de sua ordenação, mas ela o acompanha de modo particular depois da sua nomeação, para recordá-lo que é no mistério da cruz que ele encontrará o sentido de seu serviço e ministério no seio da Igreja. Pastorear, cuidar e ofertar a própria vida, a exemplo de Cristo no madeiro, eis a vocação do bispo, que traz consigo uma cruz.