Entenda o que a Igreja Católica e Deus falam sobre a Bíblia. Aprenda com o Padre Camilo, que esclarece esta dúvida e outras a respeito da Sagrada Escritura!
Todos os livros bíblicos são inspirados por Deus, mas os Evangelhos ocupam um lugar especial porque apresentam diretamente Jesus Cristo, centro da fé cristã.
A Bíblia reúne muitos livros, escritos em épocas, estilos e contextos diferentes. Há narrativas, leis, profecias, cartas e textos de sabedoria. Por isso, é comum surgir a pergunta: existe uma parte mais importante do que as outras?
A resposta da Igreja Católica precisa considerar dois aspectos: toda a Bíblia é Palavra de Deus, mas Jesus Cristo é o centro de toda a Escritura.
Como a Bíblia é formada?
A palavra “Bíblia” vem do grego biblia (βιβλία — palavra grega no plural), que significa “livros”. O termo expressa o fato de que a Sagrada Escritura é uma coleção de escritos diferentes, reunidos em um único lugar.
A Bíblia Católica tem 73 livros sagrados, e cada texto contribui de uma maneira própria para apresentar a ação de Deus na história da salvação. Os livros bíblicos não dizem todos a mesma coisa nem usam o mesmo estilo, mas estão unidos dentro de uma única história: da criação à salvação realizada em Cristo.
Dessa forma, ela nasceu no contexto da Revelação divina: Deus se dá a conhecer por meio de acontecimentos e palavras, e essa Revelação alcança sua plenitude em Jesus Cristo. A Igreja chama a Sagrada Escritura de “mistério da Revelação” pelo fato de Deus, por meio de ações e palavras, falar conosco.
A mensagem da Bíblia
Desde o princípio, o Senhor se comunica conosco para que possamos conhecê-Lo e amá-Lo. É por meio de revelações aos profetas que Ele mostra seu plano de amor e salvação para conosco.
Em Jesus Cristo, pelo mistério da Encarnação, a divina Revelação atingiu sua plenitude, pois o Pai fala conosco por meio do seu próprio Filho, que nos revelou plenamente o plano de Deus de amor para a salvação da humanidade, para que todos cheguem ao conhecimento da verdade e se salvem (1 Tm 2, 4). É justamente para transmitir esse sublime mistério que a Bíblia foi escrita; ela é o testemunho escrito e inspirado da Palavra de Deus. A fé cristã, porém, não está centrada apenas em um livro, mas em uma pessoa: Jesus Cristo, o Verbo de Deus feito carne.
Por desejo do próprio Deus, tudo quanto foi revelado relativo à nossa salvação deve ser conservado e transmitido a todas as gerações.
“Tu, porém, continua firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste e que desde criança conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, convencer, corrigir e educar para a justiça, para que o homem de Deus seja perfeito, equipado para toda boa obra” (2 Tm 3,14-17).
Por isso, Cristo enviou os apóstolos, para que anunciassem a todos o Evangelho, pela pregação oral e pelos exemplos, transmitindo, assim, aquilo que tinham recebido do próprio Senhor e aprendido por inspiração do Espírito Santo. Foram eles, bem como aqueles que os seguiram, que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem contida nos livros bíblicos (Cf. Dei Verbum, n. 7).
Realmente existe uma parte mais importante da Bíblia?
A resposta é não, já que o Antigo Testamento prepara a chegada de Cristo, enquanto o Novo Testamento anuncia sua vida, morte, ressurreição e missão salvadora. Sendo assim, ambos formam uma unidade.
O próprio Jesus ensina que as Escrituras dão testemunho d’Ele. Na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, escrita pelo Papa Bento XVI, o pontífice afirma que toda a Escritura é um único livro: fala de Cristo e encontra nele sua realização: “Por isso se vê claramente como é a pessoa de Cristo que dá unidade a todas as ‘Escrituras’ postas em relação com a única ‘Palavra'”.
Qual livro ler primeiro?
Para quem está começando a leitura da Bíblia, uma boa opção é iniciar por um dos Evangelhos.
- O Evangelho de Marcos é mais breve e apresenta de forma direta a ação de Jesus.
- Mateus destaca o cumprimento das promessas feitas a Israel.
- Lucas apresenta com particular atenção a misericórdia de Deus.
- João possui uma linguagem mais contemplativa e profunda sobre a identidade de Cristo.
Depois dos Evangelhos, os Atos dos Apóstolos são uma boa opção, que narra o início da missão da Igreja, e algumas cartas do Novo Testamento. Também é importante incluir os Salmos, que ajudam a rezar com as palavras da própria Bíblia.
Aprenda mais com o Pe. Camilo Júnior, C.Ss.R., sobre o poder da Palavra de Deus e outras dúvidas a respeito da Bíblia Sagrada:
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